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Demonização: como os judeus foram associados ao diabo

Demonização: como os judeus foram associados ao diabo

No instante em que um adversário vira a encarnação do mal, o debate acaba. Não se negocia com o diabo. É isso que torna este tropo tão perigoso.

A demonização é o lugar-comum que atribui aos judeus uma ligação intrínseca com o mal absoluto, com o Diabo ou com o Anticristo. Esta aula percorre a construção dessa associação, das matrizes no Novo Testamento e da expressão sinagoga de Satanás à tradição patrística, que descreveu os judeus como cúmplices do Diabo e as sinagogas como lares de demônios.

A consequência prática aparece nas Cruzadas, onde a lógica registrada por Guibert de Nogent transformou uma missão no Oriente em massacre de comunidades europeias, alimentando um ciclo em que a violência gerava novas acusações que justificavam mais violência. A aula acompanha a passagem da teologia para a biologia, com Lutero e Proudhon, e mostra por que essa transição nunca foi limpa: o nazismo recorreu de forma sistemática a uma linguagem religiosa, tratando o judeu não apenas como inimigo biológico, mas como encarnação do mal.

No século XX a estrutura se globalizou, dos Protocolos lidos em chave escatológica por Serguei Nilus e pelo integralista brasileiro Gustavo Barroso às formulações de Amin al-Husseini e Sayyid Qutb. Hoje, a mesma narrativa aproxima grupos extremistas que não têm nada em comum entre si. A aula fecha com o teste dos três Ds, de Natan Sharansky, que separa crítica política legítima de discurso antissemita.

NESTA AULA

  • O que é o tropo da demonização
  • Origens e consolidação teológica
  • Transformações históricas e raciais
  • Manifestações políticas no século XX
  • Formas contemporâneas
  • Como identificar hoje

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