Tropo 25

“Judeus Não Aprenderam Nada Com o Passado”

A acusação de que "os judeus não aprenderam nada com o passado”distingue-se de outros tropos antissemitas por não se apoiar em crimes atribuídos aos judeus,mas em seu próprio sofrimento histórico,convertido em base para uma injunção moral segundo a qual deveriam “ser melhores”.

01. CONTEMPORANEIDADE

A construção do tropo

A destruição do Templo e a diáspora eram, assim, lidas como punição pelo deicídio, e a não restauração à terra como prova da rejeição divina. Daí deriva a acusação de que os judeus “não aprendem”: mesmo diante de um sofrimento interpretado como confirmação da desaprovação de Deus, recusariam a conclusão tida como lógica – a conversão ao cristianismo.

A destruição do Templo e a diáspora eram, assim, lidas como punição pelo deicídio, e a não restauração à terra como prova da rejeição divina

02. MECANISMO

Como o tropo organiza a acusação

Na visão cristã, o sofrimento dos judeus era visto como punição pela rejeição de Jesus.

Desdobramentos e efeitos
Tratava-se de uma expectativa condicional de que os judeus precisavam superar o seu próprio passado e tradição para se tornarem “humanos”. Nesse registro, Voltaire atacou os judeus por uma suposta incapacidade de progresso cultural.

03. RECONFIGURAÇÕES HISTÓRICAS

Persistências e adaptações

A solução kantiana para essa “obstinação” é, portanto, radical: o judaísmo não deveria ser reformado, mas passar por uma “eutanásia”. A “lição” a ser aprendida seria o abandono da identidade coletiva judaica em favor de uma religião moral universal

Persistências e adaptações

Por isso, Hegel descreve o judaísmo pós-cristão como um “morto-vivo”, um “remanescente indigesto expelido das entranhas da história”

04. CONTEMPORANEIDADE

Transição para a modernidade e o nazismo

No século XIX, o conceito de "pecado herdado" foi substituído pela ideia de "degeneração biológica". A ideologia nazista utilizou o mito do deicídio para justificar a "solução final", com Hitler chegando a mencionar que estava apenas cumprindo a "maldição" que os judeus teriam invocado sobre si mesmos. Houve inclusive tentativas de criar um "Jesus ariano", negando suas origens judaicas para retratá-lo como um inimigo histórico dos judeus.

05. O que observar

Contexto e recorrência

O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.

06. COMO IDENTIFICAR

Instrumentalização Política

O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.

Quando ““Judeus Não Aprenderam Nada Com o Passado”” se torna antissemitismo?

Acusações de que judeus repetem erros históricos ou que se tornaram aquilo de que acusavam os nazistas;
Narrativas que exigem superioridade moral, ética e conduta irrepreensível de judeus por causa do Holocausto.
Insinuações sobre memória curta, esquecimento deliberado ou incapacidade de lembrar o passado.
Afirmações de que os judeus vivos desrespeitam a dor dos seus ancestrais.

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