Deicídio
A acusação de deicídio consiste em atribuir ao povo judeu, de forma coletiva e hereditária, a responsabilidade pela morte de Jesus Cristo.
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01. TRANSIÇÃO PARA A MODERNIDADE E O NAZISMO
Definição e Origens Históricas
A acusação de deicídio consiste em atribuir ao povo judeu, de forma coletiva e hereditária, a responsabilidade pela morte de Jesus Cristo. Surgiu nos primeiros séculos da Era Comum como uma ferramenta para o cristianismo nascente se diferenciar do judaísmo e obter legitimidade no Império Romano. Para isso, a narrativa cristã transferiu a culpa da execução, realizada pelos romanos, para as autoridades e o povo judeu.
A narrativa cristã transferiu a culpa da execução, realizada pelos romanos, para as autoridades e o povo judeu.




























02. A TEOLOGIA DA SUBSTITUIÇÃO E A MARGINALIZAÇÃO
A Teologia da Substituição e a Marginalização
Este conceito estabeleceu que a Igreja teria substituído Israel como o “povo de Deus”. Figuras como Agostinho de Hipona e João Crisóstomo ajudaram a consolidar a ideia de que os judeus eram um “povo testemunha” de um passado superado, punidos e associados a ações demoníacas. Essa culpa foi dogmatizada e institucionalizada ao longo da Idade Média, tornando-se parte do imaginário popular cristão.
Essa culpa foi dogmatizada e institucionalizada ao longo da Idade Média.




















03. SIMBOLISMO POPULAR E RACIALIZAÇÃO
A figura de Judas
O apóstolo Judas Iscariotes tornou-se o arquétipo do judeu traidor e ganancioso, servindo de base para outros mitos como o de assassinato ritual e conspirações.
A figura de Judas
Na Península Ibérica, a Inquisição transformou o deicídio em um estigma biológico por meio dos decretos de “limpeza de sangue”. Foi aqui que o termo “raça” começou a ser aplicado a humanos, criando a primeira legislação de discriminação racial na Europa, que perdurou inclusive no Brasil colonial.
No século XIX, o conceito de "pecado herdado" foi substituído pela ideia de "degeneração biológica".
04. TRANSIÇÃO PARA A MODERNIDADE E O NAZISMO
Transição para a modernidade e o nazismo
No século XIX, o conceito de "pecado herdado" foi substituído pela ideia de "degeneração biológica". A ideologia nazista utilizou o mito do deicídio para justificar a "solução final", com Hitler chegando a mencionar que estava apenas cumprindo a "maldição" que os judeus teriam invocado sobre si mesmos. Houve inclusive tentativas de criar um "Jesus ariano", negando suas origens judaicas para retratá-lo como um inimigo histórico dos judeus.















05. Nostra Aetate (1965)
Instrumentalização Política
O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.
06. COMO IDENTIFICAR O DEICÍDIO COMO ANTISSEMITISMO
Instrumentalização Política
O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.

A síntese do capítulo aponta que o deicídio se manifesta como antissemitismo quando há:
Responsabilização coletiva de judeus ou sionistas pela morte de Cristo.
Uso da figura de Judas Iscariotes para representar o povo judeu.
Apagamento das raízes judaicas de Jesus para contrapô-lo à identidade judaica moderna.
Manutenção de rituais populares, como a “malhação do Judas”, que perpetuam estereótipos de deslealdade e ganância.
PodcastDeicídio: a acusação que atravessou vinte séculos
