O Outro, o “Eterno Estrangeiro”
O judeu como “eterno estrangeiro” é aquele que vive dentro da sociedade, mas permanece representado como alguém que nunca pertence plenamente a ela.
Arraste para navegar
01. MODERNIDADE
A fabricação do não pertencimento
A representação do judeu como “outro” ou “estrangeiro interno” constitui um mecanismo recorrente do antijudaísmo e do antissemitismo. Diferentes sociedades projetaram sobre os judeus suas ansiedades e tensões, transformando-os em um “espelho negativo” de si mesmas.
Transformando-os em um “espelho negativo” de si mesmas
















02. RAÍZES HISTÓRICAS
Estrangeiros e suspeitos
No Egito helenístico, especialmente em Alexandria, antigas tradições já associavam pragas à presença de “estranhos” com ritos diferentes. Em sociedades organizadas por hierarquias entre gregos, populações nativas e grupos intermediários, os judeus ocupavam uma posição ambígua: integrados à vida social, mas simultaneamente percebidos como próximos e estrangeiros.
Alteridade religiosa
No mundo cristão, a acusação de deicídio aprofundou a construção do judeu como corpo estranho, portador de desvio religioso e ameaça moral. A figura do “Judeu Errante” sintetizou essa representação: um povo imaginado como sem raízes, condenado à errância e incapaz de alcançar pertencimento pleno.















03. EXCLUSÃO
Quando o estrangeiro pode ser expulso
A construção teológica da alteridade judaica forneceu fundamento para sucessivas expulsões na Europa medieval. Restrições econômicas e sociais reforçaram a imagem dos judeus como grupo marginal, enquanto sua exclusão podia ser mobilizada segundo interesses religiosos, políticos e financeiros.
Quando o estrangeiro pode ser expulso
Na modernidade, o judeu deixou de ser apenas o estrangeiro religioso: tornou-se o estrangeiro racial, nacional e político.
04. MODERNIDADE
Transição para a modernidade e o nazismo
No século XIX, o conceito de "pecado herdado" foi substituído pela ideia de "degeneração biológica". A ideologia nazista utilizou o mito do deicídio para justificar a "solução final", com Hitler chegando a mencionar que estava apenas cumprindo a "maldição" que os judeus teriam invocado sobre si mesmos. Houve inclusive tentativas de criar um "Jesus ariano", negando suas origens judaicas para retratá-lo como um inimigo histórico dos judeus.

05. O estrangeiro muda de nome
O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.
06. COMO IDENTIFICAR
Instrumentalização Política
O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.

Quando o “eterno estrangeiro” se torna antissemitismo?
Construir diferenças entre judeus e a comunidade nacional, cívica, religiosa ou cultural dominante.
Estabelecer uma distinção entre judeus e uma humanidade ou universalidade apresentada como legítima.
Descrever judeus como não pertencentes de fato à nação, ao povo ou à comunidade política, mesmo quando formalmente integrados.
Apresentar conversão, cidadania, lealdade política ou participação social como insuficientes para eliminar sua suposta alteridade.
Retratar judeus ou “sionistas” como infiltrados, usurpadores ou elementos que ameaçam a coesão da coletividade.
