O que acontece quando a denúncia de um crime vira a principal arma contra a própria vítima?
Antes de 1945, acusar judeus de explorar o antissemitismo não faria sentido, porque o antissemitismo era socialmente aceitável. Foi quando o preconceito explícito passou a ter custo que o discurso sofreu uma mutação. O episódio segue essa mutação de Dostoiévski, em 1877, aos julgamentos de Praga, onde denunciar preconceito virou prova de conspiração, até a Formulação Livingstone, em que toda denúncia de antissemitismo é lida como tentativa de calar críticas.
Com uma ressalva importante: debater usos políticos da memória é legítimo. A linha é cruzada quando a lembrança, por princípio, vira fraude.
Capítulo 20 do Atlas Decodificando o Antissemitismo, da CONIB.

