A CONIB participou da Contemporary Antisemitism Conference Haifa 2026, realizada entre os dias 7 e 9 de julho na Universidade de Haifa, em Israel, apresentando a experiência brasileira no monitoramento, interpretação e enfrentamento do antissemitismo contemporâneo. Reunindo cerca de 550 participantes, entre conferencistas, pesquisadores e painelistas presenciais e remotos, a conferência consolidou-se como um dos mais importantes encontros acadêmicos internacionais dedicados ao estudo do antissemitismo, com mais de 50 painéis, conferências e sessões especiais dedicados a temas como monitoramento de discursos de ódio online, legislação, políticas públicas, pesquisas acadêmicas, educação, memória, enfrentamento ao antissemitismo em ambientes universitários e novas abordagens metodológicas para a compreensão do fenômeno.
Um dos principais marcos da conferência foi o lançamento da Contemporary Antisemitism Studies Association (CASA), nova associação internacional voltada ao fortalecimento da pesquisa acadêmica sobre antissemitismo contemporâneo e à promoção da cooperação entre pesquisadores, universidades e centros de pesquisa de diferentes países. A iniciativa representa um importante passo para a consolidação de uma rede internacional dedicada ao desenvolvimento de pesquisas, formação de especialistas e intercâmbio científico na área.
Representando a CONIB, Anelise Fróes, coordenadora do Projeto de Enfrentamento ao Antissemitismo, apresentou a comunicação “Monitoring Antisemitism in Contemporary Brazil: Methodological Innovations, Institutional Responses, and Global Relevance”, durante o Painel 32 – Latin America I, realizado na manhã de 8 de julho. A apresentação destacou o modelo integrado desenvolvido pela CONIB para o monitoramento do antissemitismo no Brasil, articulando produção de dados, interpretação de narrativas, desenvolvimento de ferramentas educacionais e fortalecimento da capacidade institucional. Na ocasião, exemplares do Relatório Integral sobre Antissemitismo no Brasil 2025 foram entregues a pesquisadores vinculados a universidades e centros de pesquisa da Alemanha, França e Israel, ampliando a circulação internacional da produção brasileira na área.
A participação brasileira também contou com a apresentação de Cléo Assunção, pesquisadora do projeto da CONIB, no QU01 – Bias, Belief, and the Measurement of Antisemitism, dedicado a pesquisas quantitativas e metodologias de mensuração do antissemitismo. Sua comunicação apresentou o Atlas Ilustrado Decodificando o Antissemitismo, desenvolvido pela CONIB e previsto para lançamento em setembro deste ano, destacando sua contribuição para a identificação e interpretação de tropos históricos e narrativas contemporâneas de antissemitismo. Ainda no âmbito do projeto, a pesquisadora Hannytta Medici apresentou, de forma remota, a comunicação “A Retrospective of Narratives and Trends in the Brazilian Media Ecosystem: The Role of Gossip Pages in the Dissemination of Hate Narratives”, no Painel 07 – Digital Antisemitism, baseada na pesquisa desenvolvida pela equipe da CONIB sobre tendências e narrativas em ecossistemas digitais no Brasil, durante 2025.
Outro momento de destaque da programação foi o Gala Dinner, realizado em 7 de julho, que contou com a conferência da historiadora Deborah Lipstadt, uma das maiores especialistas mundiais em antissemitismo e negacionismo do Holocausto. Professora da Emory University e ex-Enviada Especial dos Estados Unidos para Monitorar e Combater o Antissemitismo, Lipstadt é reconhecida internacionalmente por sua trajetória acadêmica e por sua atuação na defesa da memória do Holocausto e no enfrentamento às novas manifestações de antissemitismo. O evento reuniu pesquisadores, lideranças acadêmicas e representantes de instituições de diversos países, reforçando o caráter internacional da conferência.
A presença da CONIB em Haifa reafirma o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pela instituição no monitoramento e enfrentamento ao antissemitismo e amplia a inserção da produção brasileira nas principais redes internacionais de pesquisa sobre o tema. Ao compartilhar metodologias, pesquisas e experiências desenvolvidas no Brasil, a CONIB fortalece a cooperação científica internacional e contribui para o desenvolvimento de estratégias baseadas em evidências para educação, memória, advocacy e formulação de respostas institucionais ao antissemitismo, em benefício da comunidade judaica e de toda a sociedade brasileira.

