Tropo 19

Relativização e Negação do Antissemitismo

Relativizar e negar o antissemitismo é uma forma recorrente de ódio antijudaico

01. CONTEMPORANEIDADE

A construção do tropo

Segundo a definição prática de antissemitismo da IHRA, “O antissemitismo é uma determinada percepção dos judeus, que se pode exprimir como ódio em relação aos judeus.” Trata-se de uma compreensão perspicaz que serve de baliza para o Direito Internacional e para a formulação de políticas públicas. Assim como outras formas de racismo, o antissemitismo manifesta-se não apenas como ódio explícito ou violência direta contra indivíduos e instituições judaicas, mas também em formas simbólicas, inconscientes e institucionais.

que se pode exprimir como ódio em relação aos judeus

02. MECANISMO

Como o tropo organiza a acusação

“O antissemitismo é frequentemente tratado como um fenômeno ‘fora do lugar’ nas teorias modernas de racismo”, o que faz com que seja ora minimizado como “privilégio que deu errado”, ora relativizado perante opressões consideradas mais “legítimas” ou “autênticas”. Outra forma de relativização ocorre por meio de comparações hierarquizantes.

Desdobramentos e efeitos
É o que se vê quando episódios contemporâneos são apresentados apenas como “críticas legítimas” e que as denúncias de antissemitismo são, na verdade, “instrumentalizações”. Uma forma recorrente de negação se baseia em uma falsa correção etimológica.

03. RECONFIGURAÇÕES HISTÓRICAS

Persistências e adaptações

Usar a etimologia para negar o fenômeno seria um “desvio discursivo”, a fim de reduzir a capacidade da vítima de nomear a própria perseguição. A negação do antissemitismo não é uniforme; ela se adapta às ideologias vigentes. No contexto da Guerra Fria, Jeffrey Herf (1997) detalha como a Alemanha Oriental institucionalizou a negação através da “memória dividida”.

Persistências e adaptações

Em sua obra sobre a propaganda nazista para o mundo árabe, Herf revela como a hostilidade antijudaica foi reinterpretada não como preconceito, mas como uma resposta “legítima” ao colonialismo ou ao sionismo.

04. CONTEMPORANEIDADE

Transição para a modernidade e o nazismo

No século XIX, o conceito de "pecado herdado" foi substituído pela ideia de "degeneração biológica". A ideologia nazista utilizou o mito do deicídio para justificar a "solução final", com Hitler chegando a mencionar que estava apenas cumprindo a "maldição" que os judeus teriam invocado sobre si mesmos. Houve inclusive tentativas de criar um "Jesus ariano", negando suas origens judaicas para retratá-lo como um inimigo histórico dos judeus.

05. O que observar

Contexto e recorrência

O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.

06. COMO IDENTIFICAR

Instrumentalização Política

O Concílio Vaticano II rompeu formalmente com a acusação de culpa coletiva, mudando a postura oficial da Igreja Católica.

Quando “Relativização e Negação do Antissemitismo” se torna antissemitismo?

Adoção de retórica de trivialização histórica, que apresenta o antissemitismo como um problema do passado, ignorando sua continuidade.
Minimização social, que descreve episódios como “marginais”, negando seu caráter sistêmico.
Comparações hierarquizantes, que utilizam o sofrimento de outros grupos (sociais, étnicos) para silenciar denúncias judaicas;

Capítulos Conectados

Entre em
contato

Confederação Israelita do Brasil | CNPJ 43.336.833/0001-30